CHAMADA PARA DOSSIÊ

 

Empreendedorismo Urbano e Políticas Territoriais:

Formação de novos regimes urbanos na conjuntura neoliberal brasileira

 

Há algum tempo, estudos urbanos e territoriais têm dedicado espaço de reflexão para examinar a articulação entre gestão pública, negócios urbanos e projetos de desenvolvimento. No Brasil, a intensificação de práticas e discursos promovendo a competição, a concorrência entre as cidades, o marketing urbano e a captação de projetos revelaram a entrada de diferentes frações do Capital nas lógicas de funcionamento das cidades, por meio de processos como “turistificação”, “financeirização”, “planejamento estratégico” ou “dinâmicas do imobiliário”, que passam pela mesma crise fiscal pela qual são acometidos os municípios, reduzindo sua capacidade de investimento próprio. A transposição de lógicas do mercado ao Planejamento Urbano e Regional advém desse momento de aplicação de discursos de maior austeridade fiscal, combate ao setor público e estímulo a novos formatos de empreendedorismo urbano, isto é, à condução da gestão de cidades que passe por lógicas de viabilidade econômico-financeira e “retorno” desse investimento. A tradução espacial desse processo é a própria definição de projetos que continuem a atrair novas frações do Capital, inserindo essas cidades e seus territórios em uma vida social e econômica sempre tensionada pela competitividade.

 

Na edição 2.2 da Revista Territorialidades, buscamos atualizar tal debate. O dossiê “Empreendedorismo Urbano e Políticas Territoriais”, organizado por Alexsandro Ferreira Cardoso da Silva (UFRN) e Bárbara Lúcia Pinheiro de Oliveira França (UFMG), tem como objetivo explorar o conceito de “Regime Urbano” como possibilidade teórica e/ou empírica, no sentido de refletir em torno desses ajustes sócio espaciais, enquanto decorrentes de novas práticas, discursos, planos e projetos, cujo direcionamento é conduzir a política urbana para caminhos que desaguem no tratamento político-institucional baseado em lógicas de mercado. Regime Urbano, aqui, é entendido como tipo de governança local que direciona suas ações públicas a seus interesses privados, não necessariamente de modo formalizado, associados a práticas neoliberais de gestão das cidades. Nos perguntamos se os diversos casos e formas de problematizar tal conceito pode indicar um novo momento da política urbana brasileira, sob forte inflexão neoliberal.

 

Esperamos dar visibilidade a resultados de pesquisas que privilegiem as relações entre diferentes atores e agentes do Estado, Mercado e Sociedade, bem como suas disputas pelo controle e produção da agenda urbana e/ou do espaço urbano, a partir de projetos ou intervenções urbanas, parcerias público-privadas (PPPs) e de um conjunto amplo de associações e práticas – até mesmo informais – que, em grande medida, favorecem o Mercado, alterando sensivelmente o entendimento do urbano.

 

A edição quer contribuir para a ampliação das análises dessas alternações na gestão, no planejamento e na implementação de projetos urbanos e territoriais reveladores das formas de associação público-privado e nos desdobramentos sociais, econômicos e políticos em cidades, regiões metropolitanas, territórios institucionais ou regiões de desenvolvimento econômico, auxiliando na leitura dos efeitos do ajuste social e econômico por qual passam o Brasil e, por extensão, o Urbano/Regional brasileiro.

 

Data final para as submissões: 30 de agosto de 2021

Regras de submissão: https://periodicos.ucsal.br/index.php/revistaterritorialidades/about

Dúvidas: revistaterritorialidades@ucsal.br