A IGREJA CATÓLICA, O SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS E O ESTADO: MEDIAÇÃO E CONFLITO NA REGIÃO ARAGUAIA PARAENSE

Airton Dos Reis Pereira

Resumo


A emergência da questão agrária na pastoral da Igreja Católica está relacionada diretamente com as transformações sociais e políticas que a envolveu. Foi no período em que a Igreja estava vivendo a “efervescência” dos “novos tempos” inaugurados pelas resoluções do Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, e das Conferências do Episcopado Latino-Americano, realizadas em Medellín (Colômbia) e em Puebla (México), em 1968 e 1979, respectivamente (Rothman, 1993). A Igreja vivia em tempos de uma “pastoral pós-conciliar”. Foi a época em que houve maior aproximação dos clérigos com as situações locais, sobretudo, os da região Amazônica, onde uma avalanche de empresários invadia as terras de posseiros e de povos indígenas, expulsando, prendendo, surrando, assassinando e escravizando trabalhadores (Martins, 1989). Na área urbana, o clima era também de medo e de tensão, devido à repressão política e policial do regime militar em caça aos “comunistas” e de violação aos direitos humanos. Diversas organizações nacionais e internacionais religiosas e de direitos humanos, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Conselho Mundial de Igrejas, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Anistia Internacional, obtiveram provas de prisões, de torturas e de desaparecimento de presos políticos em quase todo o País nesse período. Segundo Alves (1989), a Anistia Internacional havia constatado que, em 1976, duas mil pessoas tinham sido presas em todo o Brasil pelas forças repressivas do regime militar.

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