A CIDADANIA DE ZÉ FRANCISCO E A HISTÓRIA ‘FEITA DE BAIXO’: OS MOVIMENTOS SOCIAIS DE LUTA PELA TERRA. PARTE 2: A REFORMA AGRÁRIA E O CAMPESINISMO NO FUTURO BRASILEIRO (1989-2013)

Colin Henfrey

Resumo


Como sua primeira parte, este artigo deriva de matéria antropológica e oral coletada ao longo de 40 anos, principalmente na Chapada Diamantina baiana. Em forma narrativa, continua a história da mesma família extensa envolvida na luta pela terra nos anos setenta e oitenta.  Na década seguinte, suas segundas e terceiras gerações contribuíram decisivamente para o sucesso do MST em mobilizar as ocupações e acampamentos, cuja transformação em assentamentos prometeu um futuro mais justo para a região. Porém este futuro ainda está tardando, ao ponto dos assentamentos servirem como ‘exércitos de reserva’ para o agronegócio local. Concluindo, o artigo sugere que a possibilidade deles constituírem uma alternativa sustentável ao domínio do agronegócio dependera de dois processos: um novo padrão descentralizado e democrático, de ‘desenvolvimento feito de baixo’; e um novo projeto político promovendo esse tipo de solução à duradoura questão agrária brasileira e suas consequências sociais mais amplas.


Palavras-chave


Agrarian reform. The Landless Movement. Reform settlements, peasants, ‘peasantness’, development from below. Chapada Diamantina (Brazil).

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DOI: http://dx.doi.org/10.25247/2447-861X.2018.n245.p624-660

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