A PSICOLOGIA COMO FERRAMENTA POLÍTICA NO PROCESSO DE SUJEIÇÃO DA CRIANÇA

José Euclimar Xavier de Menezes

Resumo


Para Foucault, o século XVIII estabelece um novo lugar para a infância. Mudam as relações entre adultos e crianças, numa sociedade que se organiza sob novas bases, em que o poder soberano perde a sua potência e é substituído por uma nova forma de governar pelo uso de saberes, como a Psicologia. Neste contexto histórico de incremento demográfico, em que ocorre uma expansão da base monetária e um notável aumento da produção agrícola, emerge o problema da população que tem conexão estreita com o modo de governar. O modelo da família orientado para a arte de governar perde sua potência. É preciso gerir a vida dos indivíduos, agir diretamente sobre a população: estimular ou bloquear a taxa de natalidade, prevenir a mortalidade, controlar os fluxos populacionais, entender a população como sujeito de necessidades e aspirações. As crianças passam a ser alvo, mediante operações políticas, de intervenções econômicas, campanhas ideológicas de moralização e de escolarização, intervenção calculada. Adulto e criança se diferenciam e se distanciam, numa operação que constitui a justificativa para a intervenção familiar e para a prática da educação institucionalizada. É preciso garantir o mito da inocência, a “realidade quimérica” da infância (ou, pelo menos, a sua narrativa) para garantir a sua presença nos processos de controle e regulação. O debate em torno da dignidade da criança e do adolescente vai ser entabulado neste espaço, em perspectiva de uma filosofia que usa o método da genealogia.

Palavras-chave: Psicologia. Política. Criança. Família. Foucault.

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