A CIDADE DO MEDO: SEGREGAÇÃO, VIOLÊNCIA E SOCIABILIDADE URBANA EM SALVADOR

Rafael de Aguiar Arantes

Resumo


Este Artigo discute os sentimentos de medo e insegurança que têm tomado conta dos grandes centros urbanos brasileiros. Através do estudo de caso da cidade do Salvador, analisa os determinantes sociais do medo contemporâneo, suas principais características e suas consequências para a vida urbana. O medo urbano, que afeta as cidades contemporâneas, é uma mescla de violência real com imaginários sociais, engendrados por diversos atores, como os meios de comunicação e o capital do medo que tem, na segurança privada e na oferta de enclaves fortificados, seus principais produtos. A proliferação dos referidos sentimentos têm contribuído para a transformação urbana das cidades, fazendo emergir um novo panorama espacial, marcado pelos processos de segregação e privatização urbana, novas formas de sociabilidade, notadamente aquelas pautadas em estratégias de evitação e preconceitos para com outros sujeitos urbanos e os grupos considerados perigosos e indesejáveis, e também uma militarização da questão urbana, com a emergência de discursos que defendem uma guerra contra o crime. A cidade do Salvador, assim como outros grandes centros brasileiros, se vê às voltas com essas características: medo, privatização, segregação e a transformação dos padrões de circulação pela cidade e das interações urbanas. Nesse sentido, o Artigo conclui como essas tendências se opõem aos ideais de urbanidade e civilidade que têm sido, tradicionalmente, associados ao próprio conceito de cidade.

Palavras-chave: Medo. Segregação. Violência. Enclaves fortificados. Espaço público – Salvador.

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