A CONTRA-REFORMA AGRÁRIA E OS CAMINHOS DA DESARTICULAÇÃO SOCIAL NO BRASIL

Nelson Oliveira

Resumo


Neste ensaio, pretende-se efetuar uma interpretação crítica de um arraigado anti-reformismo que permeia não apenas práticas e iniciativas políticas dos grandes proprietários de terra, mas que gradualmente tende a se tornar consensual entre os mais distintos setores de uma burguesia emergente, e numa ideologia do conjunto das classes dominantes do país. Suas premissas fundamentais são: primeiro, que as mais importantes articulações políticas efetuadas entre finais do Império e início do período republicano, ao se restringirem fundamentalmente à defesa do latifundismo vigente, se tornaram determinantes não só para o futuro da agricultura latifundiária mas, sobretudo, para o caráter que passa a ser assumido pelas lutas por democratização no Brasil; segundo, que, nas mais distintas conjunturas, a condução política da administração governamental, subordinada a determinações quase exclusivas desses núcleos mais influentes de poder fundiário, e de seus aliados no capital comercial, além de repercutir numa conformação estatal profundamente autoritária que passa a brotar a partir daí responde pela construção de uma das economias mais socialmente desarticuladas do mundo capitalista, na sua tradução mais concreta de exclusão social. As posturas anti-reformistas das classes proprietárias, no geral, e das agrárias, em particular, são tomadas aqui como expressão maior (ou condição) para a efetivação de um pacto anti-republicano que não só demarca os limites de uma ordem sócio-política como estabelece os marcos de um projeto de nação que, de tão esgarçado, tende a se projetar como algo quase sempre politicamente inacabado.

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